Para quem não conhece o site Censura Musical, este blog nasceu dele (www.censuramusical.com.br). Lá você pode saber as histórias de músicas censuradas pelo regime militar, acessar os processos destas canções e ler entrevistas com compositores e personagens da época.
O terceiro e último dia do ciclo de debates “A Censura na Produção Cultural Brasileira” realizado pelo site Censura Musical e a Oficina da Palavra, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, discutiu a Censura na Música. Como debatedores o evento realizado na última quarta-feira contou com os jornalistas Lucas Mota e Gabriel Pelosi, o musicólogo Zuza Homem de Mello, o Maestro Júlio Medaglia, e o produtor Ricardo Cravo Albin – os dois úlimos foram jurados de alguns dos grandes festivais da música popular brasileira dos anos 60 e 70.
O site Censura Musical promove na quarta-feira (24 de setembro), às 19h, o debate “A censura na música brasileira”. O evento será na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546 - Barra Funda).
Os convidados Zuza Homem de Mello, maestro Júlio Medaglia e Ricardo Cravo Albin discutirão a atuação da Divisão de Censura de Diversões Públicas (DCDP), órgão responsável pela censura durante o regime militar (1964 – 1985) no Brasil.
Agenda
Debate “A censura na produção cultural brasileira”
Dia 24/9 – “A censura na música” com Ricardo Cravo Albin, Zuza Homem de Mello e maestro Júlio Medaglia.
Em debate realizado pelo site Censura Musical e a Oficina da Palavra, da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, o cineasta José Mojica Marins, o Zé do Caixão, afirmou estar na lista dos artistas mais censurados. Mojica refere-se não só ao período da ditadura militar de 1964 a 1985, mas até os dias atuais. Ocorre que seu último filme “Encarnação do Demônio”, lançado em agosto, recebeu censura 18 anos.
O debate ocorreu na última quarta-feira na Casa Mário de Andrade, em São Paulo, e também reuniu a historiadora Miliandre Garcia, o pesquisador Inimá Simões e os jornalistas Gabriel Pelosi e André Rocha, ambos do site Censura Musical. Miliandre pontuou o debate com detalhes sobre o funcionamento da Divisão de Censura e Diversões Públicas (DCDP) e Inimá lembrou passagens curiosas daquele período.
Ma próxima quarta-feira (24/09), o ciclo de debates "A Censura na Produção Cultural Brasileira"colocará frente a frente o musicólogo Zuza Homem de Mello, o maestro Júlio Medaglia e o produtor cultural Ricardo Cravo Albin. Os debates começam sempre às 19h, com entrada franca. Os interessados podem se inscrever pelos telefones:(11) 3666-5803 / 3826-4085 ou pelo e-mail: casamariodeandrade@assaoc.org.br.
O primeiro encontro do Ciclo de Debates “A Censura na Produção Cultural Brasileira”, promovido pelo site Censura Musical e Oficina da Palavra, foi um sucesso. O público compareceu, lotou a sala da Casa Mário de Andrade na noite da última quarta-feira e o debate superou as expectativas. Mediados por André Rocha e Lucas Mota, Zé Rodrix, Paulo César de Araújo e Marcos Napolitano tocaram em pontos esclarecedores do contexto musical das décadas de 60, 70 e 80.
Na próxima quarta, dia 17, o debate abordará a Censura no Teatro e no Cinema. Para falar sobre o assunto, o Censura Musical convidou Miliandre Garcia (historiadora), Inimá Simões (jornalista) e José Mogica, o Zé do Caixão (cineasta). Informações pelo telefone (11) 3666-5803 ou pelo e-mail: casamariodeandrade@assaoc.org.br.
Começa hoje o ciclo de debates " A Censura na Produção Cultural Brasileira" No bate-papo de hoje a partir das 19h na Casa Mário de Andrade (Rua Lopes Chaves, 546 - Barra Funda - São Paulo) os jornalistas do Censura Musical, André Rocha, Lucas Mota e Gabriel Pelosi conversam com o músico Zé Rodrix, o jornalista e escritor Paulo César de Araújo (autor dos livros "Roberto Carlos em Detalhes" e "Eu Não Sou Cachorro, Não") e o historiador Marcos Napolitano sobre o tema Censura na Música.
Na próxima semana, o evento discute a "Censura no Teatro e no Cinema" com a historiadora Miliandre Garcia, o jornalista Inimá Simões e o cineasta José Mojica Marins (Zé do Caixão). O ciclo de debates encerra-se no dia 24 com os debatedores Ricardo Cravo Albin, Zuza Homem de Mello e o Maestro Júlio Medalha.
O Censura Musical, em parceria com a Oficina da Palavra - Casa Mário de Andrade -, promove em setembro um ciclo de debates sobre o tema: A Censura na Produção Cultural Brasileira. O evento terá como debatedores Zuza Homem de Mello, Paulo César de Araújo (autor de "Eu Não Sou Cachorro, Não" e "Roberto Carlos em Detalhes"), Maestro Júlio Medaglia, Zé Rodrix, entre outros.
Mais detalhes do evento:
CICLO DE DEBATES “A CENSURA NA PRODUÇÃO CULTURAL BRASILEIRA” - 30 vagas por debate (S) Coordenação: André Rocha, Gabriel Pelosi e Lucas Mota 10 a 24/9 - quartas-feiras - 19h às 21h 10/9 - "A Censura na Música 1” com Marcos Napolitano, Paulo César de Araújo e Zé Rodrix 17/9 - “Censura no Teatro e no Cinema” com Miliandre Garcia e Inimá Simões 24/9 - “A Censura na Música 2” com Ricardo Cravo Albin, Zuza Homem de Mello e Maestro Júlio Medaglia Público-alvo: interessados em geral Faixa etária: a partir de 16 anos Seleção: primeiros inscritos Inscrições: 14/7 até o dia anterior ao debate
Festival homenageia cantores da década de 70 e 80, sob os cuidados de Zuza Homem de Mello
POR RACHEL STERMAN
A Fun Music – festival que incentiva novos talentos universitários - apresenta a exposição de fotos “A Era dos Festivais”, com curadoria do crítico de música Zuza Homem de Mello.
Como a Fun Music é inspirada nos grandes festivais, a organização montou uma exposição fotográfica, com 20 imagens de grandes cantores e músicos da MPB - como Roberto Carlos, Chico Buarque, Os Mutantes, Wilson Simonal, entre outros -, no início de suas carreiras. A intervenção pode ser vista da rua e fica aberta 24 horas por dia.
A inspiração nos festivais da década de 60 e 70 veio das platéias universitárias e do furor criativo musical da época, quando a música popular brasileira passou a ser reconhecida como algo sério e engajado social e politicamente. As fotos são do arquivo do Estadão.
Zuza Homem de Mello, às vésperas de completar 70 anos, está há pelo menos 40 no mundo da música. Sua grande especialidade é descobrir e resgatar talentos da música popular brasileira. Está sempre presente em todos os festivais de música e entende tudo do assunto. Atualmente, é curador do aclamado Tim Festival.
De 1º de julho a 2 de agosto, todos os dias, 24 horas por dia. Galeria Paparazzi: Av. Pedroso de Morais, 100, tel.: (11) 3035-4507. Grátis.
Na última semana, o comentarista esportivo e apresentador José Trajano comentou sobre o site www.censuramusical.com em seu programa no canal ESPN Brasil. Veja o vídeo postado no You Tube
NO ARTIGO publicado nesta Folha em 19/05 ("Falácias sobre a luta armada na ditadura", "Tendências/Debates"), Marco Villa rediscute a ditadura, atribuindo responsabilidades pela emergência do autoritarismo em 1964 tanto à direita quanto à esquerda. A abordagem dissocia as esquerdas das conquistas democráticas. A superestimação dos critérios documentais, em detrimento de conseqüências políticas democráticas que não constituíam proposta predominante no discurso da esquerda armada, tem levado alguns historiadores a afirmar que a esquerda lutou contra a ditadura, mas não por uma causa democrática. Ou seja, a direita e a esquerda eram antidemocráticas. A primeira defendia a ditadura militar, e a segunda, a do proletariado. A tese ignora que uma ação política pode gerar resultados não intencionais de grande repercussão. Assim, a luta armada contribuiu para o enfraquecimento da ditadura e o retorno da democracia, em que pese as intenções iniciais de seus agentes. Muitos grupos de esquerda simpáticos à luta armada antes de 1968 não desprezavam a luta política e somente após o AI-5 escolheram o caminho militarista. A barbárie repressiva não foi uma resposta à luta armada, embora esta tenha sido utilizada como justificativa para o recrudescimento da política repressiva, que foi ampliada desde 1964 de acordo com a resistência da sociedade, da qual fizeram parte os grupos de esquerda. A ampliação do autoritarismo após 1968 foi antecedida por instabilidades políticas e crises nas Forças Armadas. O ambiente de contestação se expressou na Frente Ampla e na derrota do governo no caso Moreira Alves, nas greves operárias em Osasco (SP) e Contagem (MG) e nas passeatas estudantis e protestos da classe média liderados pela esquerda. A violência sempre foi cultivada pelos dirigentes militares, situando-se no centro da estratégia para consolidar o autoritarismo, cujo propósito era desmobilizar e despolitizar a sociedade e impor um modelo econômico que privilegiasse a rápida acumulação capitalista naquele contexto de Guerra Fria. A escolha da força para obter obediência levou os órgãos de segurança a uma posição de destaque. Os órgãos da polícia política eram um dos núcleos centrais do poder. Destacava-se o SNI, comandado por generais do Exército, entre eles Golbery, o seu criador em 1964 e idealizador da distensão posteriormente executada por Geisel, chefe da Casa Militar de Castelo Branco, que negou a existência de abusos cometidos pelo regime e primeiro presidente a admitir, após deixar o cargo, a tortura como meio necessário para obter confissões. Os dirigentes buscaram ampliar as bases do regime com a liberalização, pois, além da eficácia econômica dos anos 70, emergia o problema da legitimidade. A distensão/abertura estava condicionada à institucionalização de um regime pós-autoritário com restrições democráticas. A retirada das Forças Armadas implicava sua substituição por um esquema civil de confiança baseado no partido do governo, de modo a preservar os interesses institucionais dos militares. Um bom exemplo é a Lei da Anistia, aprovada em 1979, que não permitiu a revisão das ações do aparelho militar, protegeu sua autonomia e reforçou o sentimento de impunidade das Forças Armadas. A sociedade deixou de conhecer os agentes e as engrenagens da repressão, a instituição militar não foi colocada em debate sobre os papéis que vinha desempenhando na política e a opinião pública não discutiu os valores necessários à construção de uma democracia. Todas as formas de luta contra a ditadura devem ser vistas como um direito legítimo contra a opressão política. Até Locke, o mais liberal dos liberais e um dos inspiradores das revoluções americana e francesa, sustenta que o povo tem o direito à resistência quando o Estado usa a força sem direito e sem justiça. As regras não eram legítimas, como hoje são as da democracia, reconquistada após os projetos dos militares serem derrotados no campo institucional, a partir da pressão de uma ampla mobilização de oposição que se formou entre 1974 e 1985 e da qual participaram os grupos de esquerda. Se a esquerda reconhece os equívocos da luta armada após 1968, a ela não devem ser atribuídas certas responsabilidades políticas cujo objetivo primeiro é enfraquecê-la moralmente como aliada do atual governo.
ALOYSIO CASTELO DE CARVALHO , doutor em história social, é professor de história econômica da UFF (Universidade Federal Fluminense). Foi militante da Polop (Política Operária) e presidente do Diretório Central dos Estudantes da PUC-Rio em 1977. LISZT BENJAMIN VIEIRA , mestre em desenvolvimento e doutor em sociologia, é professor da PUC-Rio e presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Foi militante da VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) e preso político banido e exilado nos anos 1970. Escrito por Gabriel Pelosi às 12h55
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